(re)encontros 

por Inês Mamede

Cerca de 40 anos e de 3.500km separam os tempos e os espaços dos fotógrafos Sérgio Vieira e seu único filho, Cayo Vieira, no projeto REDES, saindo eles de Curitiba, no Paraná, indo a Jaguaruana, no Ceará, passando pela capital, Fortaleza; o pai fez o percurso em 1982 e o filho o fez em 2022. Mas, se esses tempos e espaços parecem estar distantes, eles evidenciam-se, no campo simbólico, afetivo e produtivo, intimamente próximos, na verdade, mais do que isso, estão mesmo entrelaçados, enredados. 

 

Nas viagens de antes e de agora, registramos processos, conquistas, precariedades, desafios e, em especial, as gentes que dela vivem - e sobrevivem. Também adentramos lutos, alguns deles entrelaçados, e sentimos o poder dos (re)encontros, pois que embalam e acalantam uma firme e delicada rede de afetos.  

 

Desnovelamos a meada da produção de redes, fabricação árdua, seja feita manualmente ou de forma mecânica, realizada em várias etapas e envolvendo muitas pessoas, especialmente, as artesãs e os artesãos, os operários, funcionários e fabricantes. Imprimimos nas memórias, nas imagens, nos sons e na escrita dessas crônicas, tudo o que pudemos. Mas esse é um universo multifacetado, com uma longa história, fases e modos de produção, revelado nas condições de sua feitura, em sua riqueza cultural e também em visíveis desigualdades econômicas e sociais, compondo um roteiro infindável, inalcançável, pois, em sua complexa trama. 

   textos: 

- A Terra da Onça Preta 

- Da Fabricação da rede de dormir 

- As andanças de Gilberto  


- A tradição das varandas manuais 

 

- Quanto vale o labor de uma artesã?  

- Não é só sobre redes

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